Codificador eletrônico para Braille, mobilidade interna em espaços públicos e privados, mapeamento de serviços culturais acessíveis, plataformas para reduzir as distâncias entre candidatos com deficiência e empresas e facilitar a inclusão de pessoas com deficiência no ambiente de trabalho foram os projetos desenvolvidos no Hackaton Tecnologias Acessíveis, realizado no Rio de Janeiro, neste final de semana.

A maratona, realizado pelo Elaborando, o MAIS, a Mídia NINJA com o apoio da Fundação Ford, contou com a participação de mais de 30 pessoas, entre elas pessoas cegas, surdas, com deficiência física e intelectual. Ainda estiveram presentes diversos mentores que colaboraram com a prototipação e jurados que selecionaram 2 projetos para receber o prêmio de R$ 10 mil e que será destinado a realização das ideias vencedoras.

Igor Kelvin Ferreira de Moura, aluno de engenharia no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET) do Rio de Janeiro fez parte de um dos time que desenvolveu um dispositivo mecânico que, por meio de vibração, representa letras do alfabeto Braille, resolvendo a falta de acessibilidade dos surdocegos à informação da web. Para isso, ele, João Victor de Oliveira Troncoso, também aluno do CEFET e Milena Barroso Silva, técnica em publicidade e designer, utilizaram-se do arduino para interpretar o texto recebido pelo porta serial e, por meio de código, enviar sinais para que os motores representem a mensagem codificada da vibração dos pontos da cela Braille.

Projeto Codificador Eletrônico para Braille. Foto: Mídia NINJA

“Há sempre pessoas envolvidas com tecnologia e desenvolvimento, como eu e outros que estão aqui, e a gente se sente vivo e útil quando produz. É importante este tipo de evento para pegarmos o que sabemos e criar uma solução que gera um impacto real na vida das pessoas. E isso só foi possível graças ao Hackaton”, considera Igor sobre a importância do Hackaton.

O outro projeto vencedor desenvolveu uma plataforma para facilitar a inclusão de pessoas com deficiência no ambiente de trabalho. O entendimento desses locais sobre as características, competências e potencialidades das pessoas com deficiência pode ser melhorado a partir do mapeamento de acessibilidade, guia de comunicação acessível, terminologias, além de conteúdo dinâmico com características inter-relacionadas das pessoas no referido ambiente. O projeto se chama “Trabalho para todos” e foi desenvolvido por Daniel Gonçalves, Helena dos Anjos Dias, Juliana Lopes Gonçalves, Julinete Vieira da Fonseca Santos e Laís Silveira Costa.

Daniel Gonçalves. Foto: Mídia NINJA

Para Daniel Gonçalves, produtor de cinema, foi sua primeira experiência em um Hackaton. “Foi bem produtivo, tanto o projeto que eu participei quanto os demais, que foram muito bons e muito variados e trouxeram soluções para web, aplicativos, plataformas digitais, leitor de braille eletrônico. Foi muito interessante”.

Os projetos selecionados terão 4 meses para serem desenvolvidos, com a mentoria e acompanhamento do Elaborando, Mídia NINJA e demais parceiros das áreas de tecnologia, acessibilidades e pessoas com deficiência. Em breve será lançado um edital público que abrirá vagas para que outras pessoas se agreguem a estes dois times e aumente ainda mais a quantidade de pessoas envolvidas!

E, para fechar, no marco do Hackaton a Mídia NINJA em parceria com a Audima, torna seu portal acessível por meio da instalação de um player que converte os textos do seu site para áudio automaticamente.